segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Classificação das erupções vulcânicas

A classificação das erupções vulcânicas revela-se uma tarefa difícil e complexa, uma vez que, frequentemente, estas são caracterizadas pela ocorrência de diferentes tipos de fenómenos, que podem surgir ao mesmo tempo, ou intercalados num curto espaço de tempo, em locais distintos de um dado aparelho vulcânico. Atendendo a esta complexidade, torna-se mais fácil e verosímil caracterizar os vários tipos de actividade que ocorrem durante uma erupção, o que pode ser feito segundo diferentes perspectivas e tendo em conta diversos factores.

Assim:
a) a actividade vulcânica pode ser classificada como efusiva ou explosiva
b) a actividade vulcânica pode envolver, ou não, água exterior ao magma.
c) a actividade vulcânica classifica-se, em função do tipo de conduta emissora
d) a actividade vulcânica diz-se monogenética ou poligenética.
e) a actividade vulcânica denomina-se secundária.
f) de acordo com a classificação de GEORGE WALKER.


a)   a actividade vulcânica pode ser classificada como efusiva ou explosiva. Na actividade efusiva predomina a emissão de escoadas lávicas, enquanto que nas erupções explosivas são emitidos predominantemente materiais piroclásticos e gases a grande velocidade.

b)   a actividade vulcânica pode envolver, ou não, água exterior ao magma. Não envolvendo água exterior ao magma, diz-se subaérea, enquanto que, se há interacção com água, a actividade vulcânica pode ser classificada em:
  • hidrovulcânica (também designada de freatomagmática ou hidromagmática: trata-se de uma actividade explosiva, resultante de uma interacção directa magma/lava-água, quer esta seja água subterrânea ou água superficial, incluindo água do mar, meteórica, hidrotermal ou de um lago;
  • freática: quando se dá a vaporização de água subterrânea existente em formações rochosas (vulcânicas ou não), pelo facto destas terem sido aquecidas por uma fonte de calor (e.g. magma em ascenção/movimento). Assim, nestas erupções explosivas não há contacto directo entre o magma e a água e, do mesmo modo, não há emissão de material magmático: dá-se, apenas, a fragmentação e a projecção das rochas de cobertura/envolventes, em consequência da brusca e violenta vaporização da água;
  • sub-glacial: quando ocorre sob importantes massas de gelo (e.g. vales ou calotes glaciares). Frequentes na Islândia, estas erupções são responsáveis pela formação de jokulhlaups, ou seja, “torrentes de água glaciar”, de caudal importante e de significativo poder destrutivo.

c) a actividade vulcânica classifica-se, em função do tipo de conduta emissora, em centrada ou fissural. A actividade centrada dá-se a partir de condutas genericamente tubulares, gerando edifícios vulcânicos cónicos de maiores ou menores dimensões, enquanto que na actividade fissural a lava é emitida a partir de fissuras eruptivas mais ou menos extensas.
d) a actividade vulcânica diz-se monogenética, se cessa após um único episódio eruptivo, em geral de curta duração (alguns meses a anos). Pelo contrário, designa-se por poligenética, quando uma sucessão de diferentes episódios vulcânicos centrados e/ou fissurais, durante um período de tempo de alguns milhares a dezenas de milhar de anos, origina um edifício vulcânico de grandes dimensões.
e) a actividade vulcânica denomina-se secundária (também chamada de adventícia, satélite ou parasita), quando o centro emissor (vent) se localiza nos flancos de um edifício vulcânico principal. A actividade secundária, em função do posicionamento dos centros emissores no vulcão principal, pode ser:
  •   terminal ou sub-terminal, consoante haja extrusão a partir de centros emissores localizados no topo do cone, ou muito próximo deste, respectivamente (incluindo no interior duma cratera terminal);
  • lateral, se a extrusão se dá nos flancos do cone alimentada por intrusões magmáticas (e.g. sistema filoniano), frequentemente dispostas ao longo de um conjunto de fracturas radiais ao edifício vulcânico;
  • excêntrica, tal como no caso anterior, mas em que a ascensão magmática se processa ao longo de fissuras não directamente interligadas à conduta de alimentação central do vulcão. Neste caso, a presença de fracturas controladas pela tectónia local/regional favorecem essa extrusão excêntrica da lava;
  • intra-caldeira , quando o centro emissor está implantado no interior de uma depressão vulcânica de grandes dimensões (e.g. caldeira).

f) de acordo com a classificação de GEORGE WALKER, a actividade vulcânica pode ser: havaiana, estromboliana, vulcaniana, sub-pliniana, pliniana, ultrapliniana, surtseiana e freatopliniana. Esta classificação, proposta inicialmente em 1973, identifica e caracteriza (qualitativa e quantitativamente) diferentes estilos eruptivos, retomando algumas das designações clássicas propostas em 1908 por A. LACROIX para as erupções vulcânicas (cf. “havaianas, estrombolianas, vulcanianas e peleanas”)

FONTE : Associação Portuguesa de Geólogos Geonovas, nº 16, pp. 5 a 22, 2002

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Aula Prática - Explorando a Lua


COMO A LUA PRATICAMENTE NÃO TEM ATMOSFERA que impeça a observação da sua su­perfície, por meio de um pequeno telescópio, ou mesmo com binóculos, podemos ter uma perspectiva clara e interessante das diferentes características lunares; observando-a sim­plesmente a olho nu, já se conseguem discernir dois tipos principais de terrenos: as áreas relativamente brilhantes e os planos escuros. Mas, o fascínio pelo desconhecido e o gosto por desbravar novos mundos têm levado o Homem para as mais diversas e ousadas aventuras; pela sua pequena distância à Terra, é o objecto extraterrestre mais "apetecível" de se descobrir.

De entre as características que se podem observar da Terra estão incluídas as crateras, as zonas escuras, chamadas maria (singular, maré) e as zonas claras montanhosas, designadas por terrae, o termo latim para continente. São termos que datam do século XVII, quando os observadores, usando telescópios pouco desenvolvidos, pensavam que estas zonas escuras se tratavam de grandes superfícies de água. Deram-lhes nomes românticos e fantasiosos como Maré Tranquillitatis (Mar da Tranquilidade), Maré Nubium (Mar das Nuvens), Maré Nectaris (Mar do Néctar), Maré Serenitatis (Mar da Serenidade) e Maré Inbrium (Mar dos Banhos). As maria têm uma forma que se assemelha a uma face humana, por vezes chamada "o Homem na Lua". Foi esse o nome que Francis Godwin deu ao seu livro de 1638. Esta face está sempre voltada para nós, uma vez que o movimento de rotação do nosso satélite tem o mesmo período que o de translação em redor da Terra. O lado da Lua que nunca é visível costuma ser designa­do por "lado escuro" ("dark side") ou "lado de trás" ("far side").

Pôr-da-Terra na Lua
As maria têm muito menos crateras do que as zonas circundantes, o que sugere que não terão estado expostas tanto tempo ao bombardeamento de meteoritos como os continentes e, por isso, devam ser relativamente mais jovens. Por outro lado, apresentam uma forma circular, insinuando que, tal como as crateras, estas depressões tenham sido causadas por impactos. À maior parte das crateras foram atribuídos nomes de figuras famosas da história da Ciência, como Tycho, Copérnico e Ptolomeu. Já as características geográficas no lado negro têm refe­rências modernas, como Apollo, Gagarin e Korolev. Em adição às características familiares no lado visível, a Lua tem também as grandes crateras do pólo sul — Aitken, no lado negro, que tem 2250 km de diâmetro e 12 km de profundidade, o que faz com que seja a maior bacia de impacto do Sistema Solar, e a cratera Maré Orientale no limbo oeste, que é um esplêndido exemplo de uma cratera com anéis múltiplos.
A maré que se encontra virada para a Terra está 2 a 5 km abaixo do nível médio lunar, enquanto os terrae se estendem a vários quilómetros acima do nível médio. Estes são frequentemente designados por terras altas e ocupam cerca de 84% da superfície, sendo os restantes 16% ocupados pelas maria.

Características da Lua

A QUEDA DE MICROMETEORITOS pulverizou as superfícies rochosas, produzindo de­tritos de grão fino chamados regolitos, que são responsáveis pelo baixo albedo da Lua, uma vez que absorvem a maior parte da luz solar que neles incide. O regolito, ou solo lunar, é composto por grãos minerais não consolidados, fragmentos de rochas e uma combinação destes em que se encontram soldados em forma de vidro como resul­tado dos impactos. São vistos em toda a superfície da Lua, com excepção de paredes inclinadas de crateras e vales. Têm uma espessura de 2 a 8 metros nas maria e podem exceder 15 metros nas terrae, dependendo de quanto tempo a camada de rochas por baixo esteve exposta à queda de meteoros. Ao abrigo dos programas "Apollo" e "Luna" foram trazidos para a Terra 382 kg de rochas e solo lunar, tanto de superfície como de profundidade, dos quais foram estudados três materiais principais da superfície: os regolitos, os maria e as terrae.
Todas as amostras trazidas pelo programa "Apollo" são de rochas ígneas. Não exis­tem espécies metamórficas nem sedimentares, o que sugere que outrora a maior parte da superfície lunar esteve fundida. As rochas lunares são maioritariamente compostas pelos mesmos materiais que são encontrados nos espécimes vulcânicos terrestres. As maria são cobertas de rochas basálticas similares às de cor escura formadas da lava proveniente dos vulcões no Hawai. Os continentes são constituídos por rochas claras chamadas anortositos. Na Terra, a rocha anortosítica é encontrada apenas em cadeias montanhosas muito antigas. É de salientar que a maior parte das espécies que foram recolhidas não eram puros anortositos, mas sim "breccias de impacto", formadas por diferentes tipos de rochas que foram partidas, misturadas e fundidas devido a uma série de impactos de meteoritos. São elas que providenciam a maioria do conhecimento sobre a Lua; ainda hoje, decorridos mais de 30 anos sobre a sua recolha, continuam estes preciosos espécimes a ser estudados, incluindo a sua datação. A maior parte das rochas na superfície da Lua parece ter idades entre 4,6 e 3 Ga.
É uma correspondência acidental com as rochas terrestres, que têm ape­nas um pouco mais de 3 Ga. Sendo assim, o nosso satélite natural providencia dados sobre a história do Sistema Solar que não se encontram na Terra, o que faz com que este satélite seja muito importante para a descoberta das nossas origens.
A Lua não tem um campo magnético global, mas algumas das suas rochas exibem magnetismo remanescente, o que indica que possa ter tido um campo magnético global no começo da sua história. Sem atmosfera ou campo magnético, a superfície do planeta está exposta directamente ao vento solar, pelo que, ao longo do tempo, muitos protões ter-se-ão embebido na superfície da Lua. Por isso, as amostras das rochas trazidas pelas missões referidas anteriormente têm provado constituir um grande contributo para o estu­do do vento solar. Apesar de praticamente não ter atmosfera, dados recolhidos pela sonda "Clementine" sugerem que no nosso satélite poderá existir gelo nalgumas crateras profun­das perto do pólo sul, que se encontram sempre à sombra. Este indício foi confirmado pela missão "Lunar Prospector". Aparentemente existe gelo também na zona polar norte. A crosta da Lua tem cerca de 68 km de espessura média e varia essencialmente entre O km, por baixo do Mar das Crises, até 107 km, a norte da cratera Korolev situada no lado de trás do planeta. Por baixo da crosta existe um manto e, provavelmente, um pequeno núcleo - com mais ou menos 340 km de raio ou 2% da massa do astro; no entanto, o interior da Lua já não está activo. Curiosamente, o centro de massa da Lua está afastado do seu centro geométrico uns 2 km na direcção da Terra. A crosta é também mais fina no lado mais próximo do nosso planeta. Sem a tectónica nem a erosão causada pela atmosfera ou oceanos, as únicas mudanças que ocorrem na superfície da Lua são devidas à queda de meteoritos.
Fonte do Texto : A Origem da Vida - Ilda Dias/Hernâni Maia. Escolar Editora

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Visita de Estudo do 10º5 - Serra da Freita e Canelas

Todos os objectivos propostos foram atingidos, com os alunos a apresentarem comportamento e interesse muito bom. Um bom sinal.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Nébula protossolar

Afastemo-nos progressivamente do Sol. Começamos por encontrar Mercúrio, com a sua densidade próxima do ferro nativo, sem atmosfera, de superfície pelada e esburacada por crateras como uma velha maçã ra­quítica, desértica.
Mais afastado da fogueira central, Vénus, cuja densidade é vizinha da da nossa Terra, rodeado por uma atmosfera espessa e tórrida mas composta sobretudo por gás carbónico e em que falta o composto es­sencial da nossa Terra, a água, e, portanto, o hidrogénio que ela con­tém.
Continuando a afastar-nos, a Terra, planeta rochoso rodeado por uma atmosfera ténue, mas coberto pela amplo reservatório de água que são os oceanos.
Mais longe, Marte, cuja composição é sempre a de um planeta rocho­so, mas cuja densidade média é inferior à da nossa Terra, rodeado por uma atmosfera vaporosa, sobretudo carbónica.
A seguir, um grande intervalo de espaço livre. Entre Marte e Júpiter, uma zona onde não existe um verdadeiro planeta, antes uma miríade de objectos de pedra chamados asteróides. Esta distribuição de objectos ro­chosos de tamanhos variáveis, que vão desde pequenas luas até calhaus grandes como punhos, a girar em redor do Sol, foi chamada, por analo­gia, «cintura de asteróides».
Afastando-nos ainda mais do Sol, quando se atingem as cinco uni­dades astronómicas, isto é, cinco vezes a distância Terra-Sol, surge Jú­piter, o maior dos planetas, o mais majestoso.
Saímos do domínio dos planetas telúricos, ou planetas internos, onde domina a rocha dura e cuja atmosfera é apenas um invólucro leve. Com Júpiter, estamos perante um objecto muito diferente. Embora talvez exis­ta, o coração de pedra está solidamente enterrado no centro; a composi­ção externa é muito diferente: dominam aí, sob a forma de gelo, hélio, amoníaco, metano e hidrogénio. A girar em redor desta enorme massa de rocha, de gelo e de gás, anéis feitos de detritos e de poeiras, depois, mais longe, satélites, espécie de mini-planetas, numerosos, regularmente espaçados, constituindo um outro sistema solar em tamanho reduzido. A densidade desta planeta é fraca, os seus constituintes são semelhantes aos do Sol.
Afastando-nos para ainda mais longe, encontramos Saturno, cujos anéis foram descobertos há já muito tempo, depois Urano, Neptuno e Plu­tão. Todos estes planetas já foram hoje abordados por sondas espaciais. Todos se assemelham a Júpiter, mas são menos maciços. Todos são pro­vidos de anéis e de satélites. Todos são de composição química «leve», formados por elementos que, à temperatura e pressão normais, são gaso­sos. Conhecemos por alto a composição química dos satélites gelados, como Encélades ou Mimas, ou sulfurosos, como Io, ou complexos e ri­cos em petróleo como Tritão...
Para compreendermos este zonamento químico, façamos o seguinte exercício teórico. Consideremos um gás de composição solar e arrefeça­mo-lo. A cada patamar de temperatura, podemos calcular, com a ajuda de fórmulas simples, quais são as componentes químicas que se con­densam, se formam no estado sólido. Obtemos assim uma sequência temperatura após temperatura, composto após composto.

Que nos diz este exercício teórico?



A 1700 graus Kelvin, os primeiros compostos a condensar-se no es­tado sólido são óxidos de alumínio e de titânio. Estes tipos de óxidos são bem conhecidos na indústria, onde se utilizam para revestimento de for­nos ou para proteger os produtos fabricados a alta temperatura. São uma espécie de cerâmicas.
Baixemos a temperatura do gás. A 1500 graus Kelvin, condensa-se o ferro nativo, o ferro metálico, que bem conhecemos. Combinado com um pouco de níquel, é, no entanto, relativamente puro. Surpreendente? Não, se nos lembrarmos de dois dados importantes: primeiro, o ferro é um dos elementos mais abundantes no universo; segundo, estamos numa atmos­fera redutora rica em hidrogénio. O ferro não pode portanto ligar-se ao oxigénio e dar óxidos, como à superfície da Terra.
Baixemos mais a temperatura. Aparecem então os minerais silicata-dos, os que encontramos com maior frequência nas nossas rochas terres­tres: olivina, piroxeno e feldspatos.
Os elementos mais abundantes, como o hidrogénio, o hélio, o carbo­no, o azoto, permanecem no estado gasoso.
Se continuarmos a baixar a temperatura, vão aparecer dois tipos de compostos: os que contêm enxofre, os que contêm água. São os sulfuretos de ferro e os minerais que se classificam na família das argilas, que são, na Terra, característicos da superfície. Nesta sequência, são por certo o resultado da reacção da água gasosa com os silicatos sóli­dos.
Baixemos ainda mais a temperatura. Atingimos os O centígrados. Ninguém estranha que, a esta temperatura, a água se condense em gelo.
Ultrapassemos, para baixo, este zero que não é absoluto. Vemos apa­recerem no «condensado», primeiro o amoníaco, a seguir o metano, de­pois o hélio e o hidrogénio. Todos no estado sólido.
A partir daí, pode construir-se uma hipótese interessante.
Imaginemo-nos no primeiro «arrabalde» do Sol no momento em que o gás protossolar se condensa. A proximidade do Sol confere ao disco uma temperatura alta. Só os óxidos de alumínio, o ferro nativo e alguns silicatos se condensam. A sua aglomeração dá origem a Mercúrio, um planeta «pesado», denso, mais precisamente, rico em ferro, sem atmos­fera.
Afastando-nos do Sol, a temperatura ambiente baixa. Aos produtos precedentes juntam-se silicatos em abundância. Por acreção, estes mate­riais darão origem ao planeta Vénus. Um pormenor mais, todavia: ao aglomerar-se, estes primeiros sólidos aprisionaram um pouco de gás da atmosfera primitiva, gás carbónico e azoto. O aquecimento produzido pela compactação do planeta libertá-los-á ulteriormente. Fica explicada a atmosfera venusiana.
A descrição será mais ou menos a mesma para a Terra, apenas com mais um pormenor: a água. Sendo a temperatura ainda mais baixa, puderam condensar-se minerais portadores de água que depois, com os outros materiais, se aglomeraram dando origem ao nosso planeta favo­rito. Quando a água, juntamente com os outros gases aprisionados, é expulsa para a superfície, pode formar-se o oceano.
Para Marte, o percurso continua a ser o mesmo, à parte o facto de a argila e o enxofre serem mais abundantes e, portanto, menor a densidade do sólido.
Depois de transpormos a cintura de asteróides, atingimos, afastan­do-nos cada vez mais do Sol, uma zona onde, mesmo na época da condensação, reinava uma temperatura fria. Todos os compostos quími­cos se condensaram ou quase: ferro nativo, silicato, argila, mas também água, amoníaco, metano, hélio. Estamos perante planetas distantes cuja composição vai corresponder aos compostos mais frios da sequência de condensação. Como tudo se condensa, não há variações de composição entre os planetas gigantes, seja qual for o seu tamanho.
Como vemos, o modelo da nebulosa protossolar explica bem o zona-mento químico dos planetas. A um zonamento térmico do disco protos­solar correspondeu um zonamento químico que declina um após outro os termos da sequência de condensação do gás protossolar em compostos sólidos.

Fonte : Claude Allègre


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Meteoritos, mensageiros dos céus!

Como a idade dos condritos é semelhante à da Terra, surgiu a hipótese de que o material que os constitui representa o material sólido a partir do qual se formaram os outros meteoritos bem como os planetas telúricos, nomeadamente a Terra.
Uma interpretação possível das diversas informações representadas pelos meteoritos pode ser a esquematizada na figura.
Ao dar-se a acreção do material primitivo podem formar-se corpos de diferentes dimensões. Os corpos mais pequenos não se diferenciam e por fragmentação originam os condritos. Esse mesmo material pode formar corpos suficientemente volumosos em que se desenvolvem temperaturas elevadas que provocam a fusão e diferenciação da massa desses corpos em manto e núcleo. Por fragmentação teriam produzido os acondritos, os sideritos e os siderólitos.
Assim, os sideritos, constituídos principalmente por ferro, corresponderiam ao núcleo; os siderólitos, a zonas intermédias entre manto e núcleo. Esta hipótese é credível se tomarmos conhecimento da existência de meteoritos constituídos por um bloco de ferro metálico colado a um bloco lítico rico em olivina. Os acondritos, em especial os basálticos, corresponderiam a lavas que se derramaram à superfície desses corpos durante erupções vulcânicas.
Os meteoritos cujas quedas são o mais frequentes são os condritos comuns. Os meteoritos podem ser considerados verdadeiros mensageiros do Universo porque nos trazem informações sobre as épocas em que as marcas da História da Terra foram totalmente apagadas. Eles são testemunho da origem do Sistema Solar, isto é, das nossas origens.

Asteróides e meteoróides

Entre as órbitas de Marte e Júpiter, existem vários milhares de rochas de diversos tamanhos, orbitando o Sol ao seu pró­prio ritmo. É a cintura de asteróides, e acredita-se que se trata do material de um planeta que nunca se chegou a formar. Um asteróide pode ser tão grande como uma pequena lua ou tão pequeno como uma partícula de poeira. De acordo com a nova terminologia astronómica, os asteróides são agora de­signados como pequenos corpos do Sistema Solar. Apesar de existirem em grande número, eles estão espalhados numa área tão vasta que nenhuma nave espacial, ao atravessar a zona, alguma vez colidiu com um.
A 12 de Fevereiro de 2001, a sonda espacial NEAR (Near Earth Asteroid Rendezvous) aterrou suavemente num grande asteróide conhecido por 433 Eros. Não iam astronautas a bordo, mas imaginem se tivessem ido! Talvez se tivessem sen­tido um pouco como a personagem de O Principezinho, a his­tória que Saint-Exupéry escreveu para crianças e adultos.
A NEAR confirmou que os asteróides são objectos sólidos, crivados de crateras semelhantes às da Lua devido ao seu pas­sado violento.
A cintura de asteróides começa a cerca de 80 milhões de quilómetros de Marte e estende-se por mais de 160 milhões de quilómetros na direcção da órbita de Júpiter. Durante a for­mação do Sistema Solar, Mercúrio, Vénus e Marte — bem como a nossa Terra — foram frequentemente atingidos por as­teróides e cometas imprevisíveis. Exceptuando na Terra — agora coberta por oceanos e vegetação —, estes sinais de bom­bardeamento cósmico ainda podem ser vistos na superfície des­tes planetas. Mas a Terra já foi atingida e, provavelmente, tal irá suceder novamente. É reconfortante saber que a missão da NEAR demonstrou que um dia talvez sejamos capazes de des­viar um asteróide que esteja em rota de colisão com a Terra.
O primeiro asteróide foi identificado em 1801 por Giuseppe Piazzi e chama-se Ceres. Trata-se do maior asteróide ja­mais observado e, de acordo com a nova denominação, é agora classificado como planeta anão. Desde então, outros as­teróides de grandes dimensões, como Palias, Juno e Vesta, foram descobertos. Contudo, mesmo que colássemos todos os asteróides, o objecto daí resultante ainda seria mais pequeno que a Lua.

Alguns asteróides de pequenas dimensões são empurrados das suas órbitas e desviam-se das suas trajectórias na direcção da Terra. São chamados meteoróides. Quando entram na nossa atmosfera, chamamos-lhes meteoros, e a maior parte deles são tão pequenos que ardem, tornando-se incandescen­tes, devido à fricção com a atmosfera antes de atingirem o nosso planeta. Rasgando a noite, quais fogosos mensageiros, são conhecidos como estrelas cadentes. Se aterrarem no nosso «quintal», chamamos-lhes meteoritos. Quem encontrar algum deve guardá-lo. São uma prova da formação do Sistema Solar, que será útil na investigação.

Ocasionalmente, um grande asteróide chega até muito perto da Terra. O asteróide conhecido como Hermes chegou até uma distância de 480 mil quilómetros, algo equivalente à distância a que se encontra a Lua. Em Julho de 2006, outro as­teróide — com cerca de 800 metros de comprimento — pas­sou tão perto da Terra como o Hermes. Uma colisão com um asteróide destas dimensões iria causar grandes danos. E qual seria a dimensão desses danos? O equivalente a 20 mil bom­bas de hidrogénio de uma megatonelada a explodirem ao mesmo tempo. Mas não temos de nos preocupar com a possi­bilidade de um objecto destas dimensões atingir a Terra num futuro próximo. As probabilidades estão a nosso favor, já que episódios como estes ocorrem apenas uma vez num período de 65 a 100 milhões de anos. E mesmo que tal acontecesse, em breve teremos a tecnologia necessária para os afastar, com segurança, da Terra.

Fonte: O detective do Cosmos - Mani Bhaumik. Gradiva

sábado, 6 de novembro de 2010

A conquista da Lua

Eugene Cernan foi um dos 14 astronautas seleccionados pela NASA em 1963. Cumpriu três missões no espaço, a última das quais como comandante da Apollo 17, em Dezembro de 1972, a última viagem tripulada dos EUA.
National Geographic : Por vezes, escutam-se teorias da conspiração lunar, que defendem que as imagens do homem na Lua foram realizadas num estúdio na Terra. Como analisa essas manifestações de ignorância da ciência básica?
E.C. - Nós fomos à Lua, e iremos regressar para tirar uma fotografia onde eu vivi e pousei. Não sei onde é que essa gente pensa que fui! Sinto pena deles porque perderam uma grande aventura humana. Diga o que se disser, essas pessoas serão sempre defensoras da conspiração, acreditarão sempre no que querem acreditar.
National Geographic – Agosto 2009

Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar a Lua, tirou esta fotografia lendária do seu companheiro  Edwin "Buzz" Aldrin, em Julho de 1969. Os astronautas não conseguiram esticar por completo a haste horizontal, pelo que a bandeira parece ondular ao sabor de uma brisa sem aragem.


Todos os anos surge esta questão nas aulas quando mostro imagens do primeiro homem na Lua.
Tudo é uma montagem! Eu vi na televisão! É um comentário recorrente nos alunos que vou encontrando. Acaba por ser um desafio interessante, onde tenho que explicar que a ida do Homem à Lua não foi um acontecimento único. Foram várias as missões do Homem à Lua e de lá vieram grandes quantidades de material selenita.

Vamos aos argumentos da “não ida do Homem à Lua”.

Ao contrário da Terra, a Lua não tem atmosfera para reflectir a luz do Sol. Logo, a única fonte de luz na Lua é mesmo o Sol. Sendo assim, por que razão as sombras que se vêem nas fotografias têm várias direcções (quando deveriam estar paralelas) e vários tamanhos? Além disso, nas fotografias tiradas em contraluz, por que razão as imagens dos astronautas são tão nítidas? Não deveriam aparecer apenas silhuetas, uma vez que não foi usado o flash?
EXPLICAÇÃO: O terreno lunar não é plano, mas repleto de montes e crateras. Ainda que estando à mesma distância da objectiva, basta um dos astronautas situar-se num ponto mais elevado para que o tamanho da sua sombra aumente. Isso explica também as diferentes direcções das sombras: «Duas sombras vistas numa foto ou em qualquer representação plana, de facto não serão paralelas se estiverem sobre duas superfícies não paralelas», explica o brasileiro Widson Porto Reis, mestre em Ciências dos Materiais e membro do Projecto Ockham, que se dedica a desmascarar mitos e lendas. Outro aspecto a ter em conta é o solo lunar, formado por silicatos brilhantes que reflectem a luz do Sol, funcionando como fonte de luz indirecta. «O efeito é o mesmo quando a luz do Sol incide sobre a areia branca da praia ou uma superfície coberta de neve (quanto mais branco é o solo, mais luz é reflectida), explica.

De novo: a Lua não tem atmosfera, não tem ar, não tem brisa ou vento. Então porque vemos a bandeira americana a agitar-se?
EXPLICAÇÃO: Em 2OO8, os Caçadores de Mitos (programa de Ciência do Discovery Channel) fizeram o teste: numa sala à qual foi retirada o ar, cheia apenas de vácuo, a simples manipulação da haste da bandeira faz com que ela se agite como se estivesse ao vento. Como se vê nas imagens feitas na Lua, a bandeira move-se enquanto os astronautas mexem na haste, para a fixar no solo.
Sem humidade, como é possível deixar uma pegada tão nítida no solo poeirento da Lua?
EXPLICAÇÃO: No seu programa do Discovery Channel, os Caçadores de Mitos mostram que, mesmo no vácuo, é possível deixar uma pegada. O Projecto Ockham explica que as partículas dos silicatos que formam o solo lunar combinam-se entre si quando sob o impacto de uma bota, por exemplo, sendo possível deixar a marca de uma pegada.


Onde estão as estrelas nas fotografias e no filme da ida do Homem à Lua? Não deveria o céu estar nitidamente estrelado, como se estivéssemos no campo, uma vez que não há outra fonte de luz que não a solar? Ou foram as estrelas apagadas das imagens para que não se pudesse identificar o verdadeiro local onde estas foram tiradas?
EXPLICAÇÃO: Para fotografar objectos que emitem pouca luz, é necessário um certo tempo de exposição. O site do Projecto Ockham dá um exemplo: «Em 1967, a sonda não-tripulada Surveyor, enviada à Lua para investigar se o local escolhido para o poiso era apropriado, tirou diversas fotos do céu estrelado para orientação futura, mas para isso precisou de utilizar um tempo de exposição de quase três minutos. Este tempo foi simplesmente 45 mil vezes maior do que o tempo de exposição (0,OO4 s) das fotos tiradas pelos astronautas»
À volta da Terra existem as faixas de Van Allen, um campo de radiações formado por partículas solares letais para qualquer ser humano que as atravesse. A nave e os fatos dos homens que foram à Lua não teriam capacidade para os proteger contra essas radiações. Como regressaram com vida ou sem qualquer sinal de doença?
EXPLICAÇÃO: Naturalmente, a radiação é letal se o tempo de exposição for prolongado. Como explica o relatório biomédico da NASA, a rapidez com que as faixas de Van Allen foram atravessadas evitou danos maiores à saúde dos astronautas.

A agência  (NASA) nunca soube bem como lidar com as teorias da conspiração. Por um lado, a tentação era desmontá-las; mas por outro, ao fazê-lo, estaria a dar-lhes importânciaEsse trabalho foi sendo feito pelos cientistas. O ano passado, o popular programa de Ciência do Disco­very Channel Myth busters (Caçadores de Mitos) dedicou-se a refutar os principais argumentos dos negacionistas. Testaram o içar da bandeira numa sala sem atmos­fera, apenas com vácuo, e mostraram que ela abana, de facto, mes­mo não havendo vento - movimenta-se porque os astronautas a estão a manipular, tentando fixá-la ao solo. E prova­ram também que é pos­sível deixar uma pegada no solo poeirento e sem humidade. Mais complicado será discutir com ou­tras imaginações - como as que dizem que o Homem foi à Lua, sim, mas com tecno­logia roubada a uma nave extraterrestre; ou que os astronautas chegaram lá com a ajuda de ONNIs e encontraram selenitas, habitantes da Lua, que vivem debaixo do solo, uma vez que a Lua é oca... Bem dizia o avô da sra. Custódia, a mulher do dono do café entrevistada no Diário Popular, que ti­nha visto um homem a caminhar na Lua quan­do esta estava cheia, e levava molhos de lenha às costas. Mas os sele­nitas, diz a Associação de Pesquisa OVNI, proibiram-nos de lá voltar. E por isso nunca mais fomos.

Fonte : Visão História - Julho 2009 / National Geographic - Agosto 2009

Há quem continue a não acreditar... Man on the Moon!